Jose Fuste Raga... mas é claro que não consigo, até porque a propriedade do tal feitiozinho de trazer por causa, alguma impetuosidade, orgulho e mais uns quantos, muitos defeitos me impedem aspirar à perfeição muito menos à santidade.
Quem me conhece sabe que tenho uma Fé inabalável, acredito que Deus está presente na minha vida em todas as coisas e a todas as horas e disso tenho tido provas, coisas minhas privadas, coisas pequenas que outros mais "elevados" apelidariam de parolas, patéticas ou mesquinhas, faço o possível por viver dentro daquilo que entendo como vida cristã, o que nos leva logo ao problema número um, a celebração da Santa Missa, a que raramente assisto porque tenho pouca paciência, ou melhor nenhuma para presenciar cortejos de hipocrisia.
Conheço muitos que levam uma vida de ódio, vaidade, prepotência e arrogância, para mais não dizer..., e que depois pensam que ir dar uma banhoca à alma na pia de água benta tudo resolve, que despejar em cima do pobre padre toda a ignomia das suas vidas torpes e podres e esperar pela absolvição funciona assim como uma lixívia delicada da vida, rematam com a hóstia tomando o Corpo de Cristo por uma qualquer funcionária da lavandaria celeste.
Tenho tido o prazer e a honra de contar com alguns padres na minha roda de amigos ao longo da vida, todos com formas diferentes de viverem o sacerdócio o que tem dado origem a gostosas conversas noite fora.
Hoje mais uma vez a Igreja Católica, pela boca do Cardeal Saraiva Martins, Imérito Prefeito da Causa dos Santos, deu-me um desgosto grande ao fazer exactamente aquilo que mais detesto nela: pôr-se em bicos dos pés, estender o dedo acusador e afirmar, intolerante, que a homossexualidade não é normal, que um casamento, não sei porque teimam chamar casamento a um contrato civil, entre pessoas do mesmo sexo é contra natura e que estes, os homossexuais não têm qualquer competência para educar uma criança.
É também nesta atitude que entro em ruptura com a Igreja ou melhor com os seus mandatários, pelo menos com os que pensam desta forma, porque felizmente nem todos se guiam pela mesma bitola...
Quem é a Igreja ou um qualquer seu Cardeal para vir dizer quem é ou não competente para educar uma criança, pena que não se escute a sua voz igualmente indignada quando crianças entregues aos cuidados de familiares ou amorosas famílias de acolhimento são aí arrancadas pelas "competentes" mãos da segurança social e entregues a progenitores, não homossexuais mas completamente incompetentes tendo resultado em morte de algumas delas, creio que os números conhecidos de 2007 de crianças mortas às mãos dos pais ou familiares é de 8 ou 9, atendendo a que vivemos num país do tamanho de um pacote de açúcar, é obra! Que me lembre apenas uma funcionária da segurança social foi punida num destes casos, creio que com 3 meses de suspensão sem vencimento, é "barata" a vida de uma criança neste jardim à beira-mar plantado..
A Igreja e os seus preconceitos homofóbicos esquece os seus padres gays, impõe o celibato, mas tolera as "governantas", "primas" e "afilhadas" que recheiam as casas paroquiais.
Fala-se em crise de vocações, curiosamente essa crise não é de agora, o que acontece é que ainda há umas três décadas os Seminários eram os únicos meios de fuga à miséria da interioridade, para muitos a única forma de ter a oportunidade de estudar, vocação? Teriam alguns, poucos.
Estou triste porque mais uma vez a minha Igreja, a minha Fé mostrou o quanto pequena e preconceituosa consegue ser, para logo de seguida correr ao templo encher a boca com o amor e o perdão de Cristo e do seu Pai, Nosso Senhor.