quinta-feira, 20 de Agosto de 2009

POR AGORA É ADEUS


Porque só descobrimos o verdadeiro valor daquilo que para nós é absolutamente precioso quando estamos em risco de o perder, porque não quero desperdiçar mais tempo de qualidade com os meus tesouro maiores, aqui a "mercearia" vai ficar encerrada para balanço.

Fiz por aqui na freguesia bons amigos que passaram para o lado de cá e fazem hoje parte da minha vida, outros ainda não houve tempo ou oportunidade, ainda não chegou o dia certo, esses têm o meu telefone e se não têm é só pedir a quem sabem que de certeza tem, continua também aí o mail para quem precisar ou se lembrar de dizer alguma coisa.

Obrigada pela companhia, pelas conversas, pela amizade e pelo revelar das vossas almas, vou continuar sempre que me sobrar um minutinho a dar uma espreitadela nos vossos "estaminés" claro, mas por agora é hora de fazer uma pausa.

Fiquem bem.

sexta-feira, 14 de Agosto de 2009

É POR ESTAS E POR OUTRAS...


Quando no último trimestre de 2008 as dificuldades já eram bem reais e já se faziam ouvir por todo o lado os ecos da crise, os nossos (des)governantes de forma alarve irresponsável e revelando a maior das ignorâncias que lhe são, aliás bem características, diziam que não que coiso e tal que Portugal estava ao abrigo de qualquer temporal, quanto mais tempestade económico-financeira. Depois quando já não havia como continuar a tapar o sol com uma peneira, lá vieram a lume admitir que sim que havia a tal crise mas que a culpa, va de retro, jamais seria deles, era a conjectura internacional.

Meses de inércia volvidos em que a crise serviu de desculpa para tudo, inclusive para aproveitamentos de muitos patrões, mas isso são outros quinhentos, o idiota, sem o menor pingo de vergonha ou pudor que o caracteriza como todos sabemos, vem ao pequeno écran arreganhar a dentola e reclamar para si e seus compadres a retoma económica, como se diz aqui pelo Ribatejo, "Não há cu que aguente".

Longe vem a retoma, apenas nos encontramos a reboque das outras economias de quem dependemos. Perto vêm os dias difíceis de quem vê o subsídio de desemprego a chegar ao fim e os portões das fábricas de onde saíram encerrados.

Demasiado confiantes na ancestral amnésia do povo português e na sua total falta de coragem e cultura política, lá vão mais uma vez cantando e rindo rumo a mais uma legislatura em que só farão o que sabem fazer, nada, e continuarão a limpar as mãos às costas das outras forças políticas, à conjectura internacional e às de quem mais se puser a jeito.

É por estas e por outras que um dia disse não a um caminho que abriam à minha frente, porque sabia que dominava mal o meu mau feitio e tinha o estômago muito pequeno para estas lides...

quarta-feira, 12 de Agosto de 2009

SOLIDÃO É PRECISO - MESMO QUE SÓ POR VEZES


Lá fora o calor cresce, sigo com o olhar as janelas e portas que trepam as paredes tentando alcançar o tecto lá em cima, protegida pelas paredes grossas desta casa antiga que teimei em recuperar sem desconstruir desfruto da frescura do interior gozando contudo a brisa escaldante que se escapa entre dois acenos da cortina leve. Lá fora reina no pátio, o seu reinado efémero, o sol, implacável, que espreito daqui de dentro onde protegida, me entrego e me deixo, sem reservas, divagar.

Gosto destas horas raras de solidão provisória, deste torpor, quando completamente a sós me é permitido viajar dentro desta casa, usufruir dela em pleno.

Depois de um mergulho breve, deixo enxugar o fato de banho no corpo, à sombra, dentro da frescura da sala, deitada na chaisse longue, sinto invadir-me pelo arrepio de frio breve e completamente a descompasso dos quase 40 graus que se fazem sentir lá fora, silêncio absoluto, daquele tão pesado que se faz ouvir.

Demasiada solidão, levanto-me procuro nas minhas estantes a companhia antecipadamente eleita e que me falta, tem tudo a ver com o dia, o momento presente. - A casa dos espíritos - Isabel Allende - mais uma vez, hoje, particularmente hoje, a companhia perfeita, porque o momento me lembra o livro e sobretudo porque apenas leio livros que se vestem e cheiram e vivem, que se confundem comigo e levam dias e dias a despir. Abro-o e imediatamente reencontro velhos conhecidos.


Capítulo I

ROSA, A BELA...

( Até já ...)

sexta-feira, 24 de Julho de 2009

GRACINDA

Tenho andado afastada, longe, tenho escrito pouco, nada, aqui, muito nos meus cadernos que me chamaram, reclamaram, exigiram atenção, até porque o espaço que lhes é destinado já escasseia, foi preciso mudar, arranjar-lhes nova casa.
Inevitavelmente peguei em cadernos que datam de muitos anos, como este, que me lembrou a Gracinda, de antes, bem antes de 74, dos dias em que depois das aulas nos juntávamos em casa de uns e de outros.
Neste dia registei uma frase da Gracinda, cabo-verdiana ao serviço da família da Fátima T., volta, criatura exótica, quase rara, nestes tempos antes da cobarde e desastrosa descolonização.
Mulher grande, dona de um humor invejável, de um sorriso enorme de raciocínio afiado e língua mais despachada ainda.
Tinha sido tarde de mais um bailinho de garagem, transformada em boîte, como se dizia na época, eu e a grupeta da casa subíamos até à cozinha a contar os sucedidos da tarde, das músicas dos flirts, desta e daquela, da M. da T., da J, ai a J uma empertigada com a mania que é melhor que as outras...
Atentamente a Gracinda ouvia os nossos dilemas de pré - adolescentes e dava conselhos:
_ Quanto às empertigadas é fazer vista grossa e fugir a sete pés por causa do cheiro, porque normalmente "tanto se espremem que se borram..."
Retomo o dito, sorrio lembrando outros momentos. Que será feito dela? Memórias felizes!!!

segunda-feira, 20 de Julho de 2009

SEMELHANÇAS OU REMENISCÊNCIAS?


Eu vejo pouca televisão, é uma realidade, mesmo assim ainda há dias tropecei num pseudo programa de humor da RTP 1 que de tão pobre, grotesco e de absoluto mau gosto apenas me fez lembrar os meus anónimos/as.

Pobres de espírito, mal vestidinhos de cara, sem piadola nenhuma, sem chama.

Não trazem nem fazem nada de novo, limitam-se a macaquear e a escarnecer da concorrência, tornando-se assim enfadonhos, vulgares, ultrapassados, eternamente condenados ao zapping. Não fossem os tachos e as combinações de vão de escada e estariam, muito justamente a engrossar as filas do desemprego...