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domingo, 31 de agosto de 2008

JANGADA DE PEDRA


O 25 Abril foi uma porta inevitavelmente à espera de ser aberta.


Depois da explosão dos cravos das manifestações dos dias loucos em que nos comportávamos como águas revoltas retidas numa barragem, veio o a pergunta pertinente "e agora ?"


De dentro da minha adolescência um bocadinho precoce e que já conhecia outros povos , outros ritmos de vida, pensava: - venha o que vier, será sempre melhor do que aquilo que tínhamos. O amanhã será sempre melhor do que o ontem.


Hoje, no amanhã daqueles dias, 34 anos depois, volto a pôr-me a mesma pergunta e o que me assusta é saber que não há nada melhor para esperar do nosso amanhã.


Será este o tempo de voltar a arregaçar mangas, ressuscitar, se preciso, as noites de insónia das reuniões clandestinas, das trocas de meias-palavras e de olhares mudos carregados de significado à mesa dos cafés?


É com certeza este o tempo de mudar, radicalmente.


Timoneiro precisa-se!

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

POR ACASO NÃO ME SABEM DIZER




O que se passa neste nosso jardim à beira-mar plantado?

É que à média de um crime violento por dia em que comerciantes são, quase sempre alvejados a tiro, de vez em quando mortos, num país do tamanho de um pacote de açúcar não faz muito sentido.

A menos que na eventualidade de serem apanhados os ladrões saibam, antecipadamente que se pedirem para cumprir pena no seu país de origem, só fiquem a ter que responder por um terço do tempo de condenação, isto no caso de serem brasileiros, vistas bem as coisas é capaz de compensar.

Se por um acaso os ladrões forem oriundos de países de leste não sei bem como a coisa se processa mas é capaz de ser parecido ou então e o mais vulgar é vermos ser-lhes aplicada a muito efectiva medida de coação que atende pelo nome de termo de identidade e residência que aplicada a um cidadão estrangeiro e num país de fronteiras abertas não podia ser mais eficaz...

Ora já se os meliantes forem portugueses, ou perto, e se por acaso se encontrarem já dentro do veículo de fuga, recomenda-se às forças de autoridade presentes no local que empunhem megafone e indaguem se levam menores a bordo antes de dispararem por forma a tentarem impedir a perpetração do crime, ou estaremos habilitados a ver todo um cortejo de carpideiras nas aberturas dos telejornais e quiçá um polícia processado ou mesmo perseguido e morto ou talvez até a família, honesta e trabalhadora, autênticos pilares da sociedade, da malograda criança indemnizada pelo erário público, ou seja por todos nós, afinal o pai da dita criança e o outro familiar foram interrompidos pela GNR a meio de uma acção de formação profissional.

Como qualquer outro português e conforme amostra junta, tenho também o vício da má-língua, mas convenhamos que nos tempos que correm e olhando apenas e só para a escalada de criminalidade e para as limitações impostas às nossas forças policiais, temos que nos perguntar se à beira do abismo, vamos dar o passo em frente, ou finalmente caminhar estradas diferentes e que conduzam a um destino um propósito que sirva o bem comum, ao invés de continuarmos a correr às cegas por labirintos que conduzem tão só e apenas aos interesses pessoais de Minotauros que dizem viver para servir o país?

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

CONFESSO




Que ando cansada, desmotivada até, preciso urgentemente de fazer uma pausa.


Anseio por uns dias fora disto tudo. Não sei quando estarão reunidas as condições para que isso possa acontecer.



Pela primeira vez penso que é mesmo hora de abrandar. Penso que não sei quantos anos bons me restam.


Olho à minha volta e vejo quem tenha problemas maiores que os meus. Quem esteja em maior sofrimento.


Só lamento não ter mais nada senão palavras de conforto para lhes oferecer. É pouco e mais uma vez penso que se estivesse mais liberta poderia fazer mais.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

DAS COISAS "PEQUENINAS" DA VIDA


O egocentrismo, é uma particularidade do ser humano que sempre me fez alguma confusão, alguma confusão é como quem diz..., e como todos os que sofrem desta maleita raramente percebem como se tornam ridículos e maçadores, não foram raras as vezes que não consegui morder a língua resistir e ficar calada e de repente ouvia-me a mim mesma proferir pérolas do tipo - Olha lá já deste conta que o Sol quando se levanta não o faz em exclusivo para ti? - ou então - Se tirasses o nariz do umbigo se calhar percebias que o planeta tem outros habitantes...
Normalmente estas frases punham sempre ponto final a um relacionamento.
Acredito nunca ter perdido grande coisa pois o egocêntrico é incapaz de se entregar, dar de si, ser verdadeiramente disponível e amigo se não tiver uma contrapartida que implique a existência de uma plateia que o aplauda, publicidade, auto-promoção e auto-gratificação envolvidas, são portanto pessoas que não me interessam.
Hoje consigo reconhecê-los à légua, detecto-lhes os tiques, o prenúncio do hábito imediatamente, já não me afectam como antes e passo, simplesmente ao lado.
O tempo passou, aprendi a controlar um bocadinho melhor o meu feitiozinho de trazer por casa, (curiosamente percebi isso há poucos dias), no entanto continuo a achar ridículas, maçadoras, indesejáveis as pessoas que são sempre e just about me...me...me.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

EU SOU GRANDE


... mas não sou duas!
Desde sábado que não tenho um segundo de descanso.

Toda a gente quer um bocadinho de mim, tenho que chegar a todo o lado, pelo menos tentar.

Ainda o ano passado fiz todas estas mesmas coisas com a maior das facilidades, este ano tem sido mais difícil.

Estou cansada e ainda faltam, no mínimo dois dias inteiros.

Estou farta de pôr sempre os interesses do colectivo, da empresa acima dos meus interesses particulares.
Dormi mal, tenho sono e estou com muito mau feitio.