
O 25 Abril foi uma porta inevitavelmente à espera de ser aberta.
Depois da explosão dos cravos das manifestações dos dias loucos em que nos comportávamos como águas revoltas retidas numa barragem, veio o a pergunta pertinente "e agora ?"
De dentro da minha adolescência um bocadinho precoce e que já conhecia outros povos , outros ritmos de vida, pensava: - venha o que vier, será sempre melhor do que aquilo que tínhamos. O amanhã será sempre melhor do que o ontem.
Hoje, no amanhã daqueles dias, 34 anos depois, volto a pôr-me a mesma pergunta e o que me assusta é saber que não há nada melhor para esperar do nosso amanhã.
Será este o tempo de voltar a arregaçar mangas, ressuscitar, se preciso, as noites de insónia das reuniões clandestinas, das trocas de meias-palavras e de olhares mudos carregados de significado à mesa dos cafés?
É com certeza este o tempo de mudar, radicalmente.
Timoneiro precisa-se!



