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sexta-feira, 26 de setembro de 2008

DÚVIDAS LINGUÍSTICAS


Enquanto à minha frente a figurinha gesticulava, falava, falava, falava sem parar com um voz estridente daquelas que irritam os mortos, sobre os filhos, espeerrrtíssimos, sobre o carro topo de gama, sobre as férias, sobre como era especial magnética melhor.

Grande castigo para um fim de tarde de um dia difícil, eu só queria beber um café, por isso parei na pastelaria onde fui mortalmente tomada de assalto pela rainha das colas

Passados longos e torturantes minutos lá entrei naquela derradeira fase do aborrecimento, já superada a crescente vontade de a mandar calar e em que Graças aos Céus deixamos de ouvir.

Olho em frente, sorrindo sempre um sorriso daqueles postiços e já só vejo a fila de dentes arreganhados em sorriso que teima em não se desfazer e os braços que gesticulam, gesticulam sem parar.

Já não ouço a voz, estridente, irritante, consigo desligar o meu botão interior, silêncio absoluto, maravilha, só o bater do meu coração e o ritmo, agora mais calmo da minha própria respiração, acalmo-me.

De repente, oiço a minha voz, a que não domino, a interior gritar:

- Manda-me essa fulana à merda, que falta de paciência, espera, será que é à merda ou para a merda?


quarta-feira, 16 de abril de 2008

CONVERSAS DE CHACHA


Por estas e por outras é que a "mercearia" foi de acesso reservado durante a maior parte da sua existência.

Cenário: Ontem ao fim do dia, parque de estacionamento do Pingo doce

Conhecida de fresca data e assim a atirar para o parvo:
- Olhe, acho que leio o seu blog, tem um não tem?

Eu: Tinha mas tratei-me, estou muito melhor obrigada.

Por este andar estamos a voltar à vertente "underground" não tarda!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

REGRESSOS ATRIBULADOS


Depois de, por motivos de saúde, como bem sabem, algumas semanas, afastada da Empresa, eis que regresso, ou melhor, sou quase obrigada a regressar, impelida pelos gritos excruciantes dos que comigo há tanto tempo trabalham, e tanto batalharam para fazer desta casa o que ela é hoje, embora nunca tenha perdido o contacto nem a linha de gestão, pois todos os dias a Isabel me trazia o que de mais importante e, ou, urgente, reclamava a minha atenção o que eu não sabia era que o proprietário da empresa, que apenas tem um cargo, chamemos-lhe "plástico", tinha tido um ataque de "patrãozice" aguda na minha ausência e armado em déspota, para não dizer em parvo toca de meter o nariz em todos os departamentos, enervando toda a gente até ao limite do tolerável, pois, agora devem estar todos a dizer, o homem é que é o dono da empresa e tal e esta agora vem para aqui dizer mal do senhor, coitadinho.

Esclareçamos, quando entrei naquela casa há 9 anos, aquilo era uma "chafarica", minúscula, entrei, é como quem diz, a pedido do meu pai, fui lá fazer um breve levantamento da situação da empresa, ora em duas semanas o diagnóstico, foi-lhe apresentado e era tão simples como isto: reformular, crescer ou então fechar.

Acedendo aos seus insistentes pedidos e contrariando a minha intenção de seguir carreira numa multinacional, onde já se aguardava a minha chegada, resolvi ficar e aceitar o desafio de ajudar a fazer crescer o então quase inexistente negócio, até porque gosto de desafios e me encontrava muito cansada de grandes empresas e uma vez que era muito perto de casa e que já seria hora de eu passar a ter uma vida familiar, digamos, normal, acedi a ficar uma vez que o "negócio" se afigurava vantajoso para ambas as partes.

Condição única para eu assumir esta tarefa era não haver interferência na gestão, embora, obviamente fosse colocado ao corrente de todos os passos dados e assim tem sido, com a preciosa colaboração de um dos seus filhos, sobretudo na área comercial, a contento de todos ao longo de todos estes anos.

Ninguém conseguindo explicar porquê, de vez em quando tem destes "ataques de insanidade", mas que nunca passam de intenções, desta vez, completamente sózinho, sem ter quem lhe "aperte o passo", assim, sem mais nem menos, o Sr., resolveu mandar fazer uma placa para a porta do seu gabinete, coisa que nunca aqui existiu em porta nenhuma, à excepção das informativas, plaquita essa que para além da falta de gosto é completamente ridícula, provocando o riso de todos os que circulam perto da referida porta, clientes nomeadamente, com a seguinte inscrição "Dr. Fulano de Tal/Proprietário" ao mesmo tempo que resolve dar uma de patrão/director/"dono da bola" e pôr os chefes de departamento, sobretudo o filho à beira da loucura e a ameaçar demissão, daí o meu regresso prematuro embora mais ou menos em part-time.

Ontem foi dia de "acalmar as hostes", com a minha presença, hoje será dia de "limpeza" dos sonhos surrealistas do Sr. Fulano de Tal, retirar placas de portas, explicando que não se podem "pregar" títulos académicos e outros nas portas só porque nos apetece, calmamente, sem grandes estremecimentos como aliás é meu hábito e até porque a pessoa em causa já tem alguma idade, problemas de saúde vários e um razoável deficit de educação.

Portanto já perceberam que o tempo para passar por aqui vai ser muito limitado, como aliás seria de esperar, dado a uma quantidade razoável de trabalho que se acumulou ao longo destes dias, de toda a forma vou sempre tentar ter as prateleiras da "mercearia", sempre mais ou menos "compostas" e arrumadas, e dar sempre que possível uma espreitadela por cima dos muros dos vossos "quintais".