
Como piolho por costura, costumava ouvi-la à minha avó para designar pessoas invasivas, abusivas, peganhentas, daquelas que apresentamos a um amigo numa ocasião qualquer em nossa casa e que passado poucos dias já estão de mala e cuia em casa do pobre como se tivessem uma amizade sólida desenvolvida ao longo se muitos anos.
Aparecem-nos nos lugares que frequentamos de forma inusitada persistente, insistente, irritante, perseguem-nos e alastram-se ao nosso círculo de amigos, impõem-se, fazem-se presentes constantemente, aparecem pendurados nos nossos amigos e conhecidos, assentam arraiais nos nossos sítios preferidos, cansam-nos com a sua excessiva exuberância, pesam-nos, desgastam-nos, chegam mesmo a prejudicar a nossa interacção com os outros.
Não têm limites, pura e simplesmente, não sabem, não são capazes de parar, o coleccionar de relacionamentos, ou melhor, conhecimentos, funciona para eles como uma espécie de droga.
Quase sempre procuram conhecer pessoas em função de quanto a sua popularidade lhes poderá render, traduzir em fama, falsa glória, popularidade.
Contudo, este comportamento deixa-me sempre a dúvida terrível, o não saber se estamos perante um cínico, um exibicionista, um idiota chapado ou uma vitima de tremenda solidão.
Se perguntarem se me aborrecem ou se os aceito calmamente, não lhes atribuindo qualquer relevo, respondo-vos aberta e sinceramente que, tenho dias...