
Não que seja grande leitora das revistas do dito social, pois dito que de social têm pouco e de jet 7 menos que em Portugal é coisa que não existe...
Mas que se compram lá em casa compram, para grande satisfação da D. Teresa do quiosque o querido marido é viciado em revistas, sobretudo à volta do tema automóvel mas também das ditas do social que pontualmente com a Visão e a Sábado batem na minha mesa de café todas as semanas e por lá têm tendência a assentarem arrais eternamente, no meio da Elle e da Vogue porque compro porque sim, gosto das fotografias e de algum artigo ou outro.
Pelo menos uma vez por semana faço a revisão à matéria dada, ou seja às revistas fora de prazo, retiro os cadernos de culinária e passo os olhos pelas "gordas" das tais, das ditas do social que a meu ver mais não são que um infindável cortejo de miséria humana coberto por trapinhos mais ou menos iguais e quase sempre desadequados às silhuetas, para não falar dos cabelitos quase todo ao estilo, ai que ia morrendo de susto para eles, e fui lambida pela vaca lá da quinta, tá a veer? - para elas.
Ora ontem ou no sábado já não me lembro bem, estava justamente no exercício de tão banal e doméstica tarefa quando me caem os olhos na Tv 7 Dias e começo a ler aquele trágico narrar de tias que são putas e putas que são tias, ao que parece a coisa já vinha de longe, uma história qualquer com a Alexandra Lencastre a quem gosto de ver no écran, dependendo dos dias mas de quem a vidinha não podia interessar-me menos.
Apesar de ironizar acerca da coisa nestas linhas, acreditem que fiquei triste, confundida, pesarosa até ao verificar ao estado de degradação moral a que certas pessoas chegam apenas para conservarem um estatuto, um padrão, um determinado nível de vida, conduzir o carro B, frequentar o restaurante Z e fazer compras aqui, ali em NY e Paris e poderem encher os ouvidos com a narrativa das aventuras a quem quase sempre não tem a menor vontade de as escutar.
Para a próxima quando estiver a ser atacada por uma parceira de viagens, ou de cabeleireiro, ou daquelas que metem conversa a propósito de nada na pastelaria, ou ainda das outras que têm blogues e tudo e vão aos das outras pessoas como anónimas, armarem-se ao pingarelho, daquelas que nunca se calam com descrições de eventos, feitos hérculeos dos progenitores e com o debitar sem fim da linhagem familiar, compras, marcas e viagens, não vou poder conter-me e automaticamente pensarei.
Será que também esta é puta? E quanto cobrará à hora?