
Ontem à noite foi noite de petisqueira, uma sopa espanta frio, morcelas de arroz com grelos uns queijinhos e enchidos, vinho da região.Coisa simples, pretexto para reunirmos um grupo de amigos na nossa adega, aquecidos pelo fogão a lenha. De conversa em conversa fomos divagando de tema em tema, coisas leves, triviais, uma noite bem disposta com algum futebol à mistura, inevitável com tanto jogo para uns e para outros importante, até que desaguámos na beleza feminina.
Tema complexo, dilecto de muitas rodas de amigos e por acaso aqui pela minha nem sequer muito popular, mas ontem foi dia, ou melhor, foi noite de beleza feminina.
Desfilaram as beldades ou não, do costume, as do teatro, do cinema e da televisão, deve ser do mau tempo e do calor do fogão, porque a conversa só por si desinteressante que chegue já começava a atirar os não envolvidos, como eu para os braços de Hipnos e Morfeu.
Ao leme do tema, invariavelmente, uma senhora que à beleza nada deve e à inteligência também não, uma chata, já vossa conhecida, daquelas sempre, sempre de dedito no ar, voz estridente, constantemente a querer dominar a sala, tolerada entre nós apenas porque adoramos o marido. De ajudante uma outra, quase como ela e treca, treca, não se calavam com o tema nem por mais uma.
De repente, o J. homem das agrícolas lides, pouco ligada a filosofias e dono de uma homérica antipatia por gente do tipo da dita, põe um ponto final à enfadonha discussão:
- Calem-se lá com isso de uma vez meninas, peço desculpa aos donos da casa mas a amizade leva ao abuso. Já repararam que apenas as mulheres feias têm absoluta necessidade de se auto-proclamarem bonitas? Essas de quem falam há horas não precisam da vossa aprovação, ao passo que há por aí muito boa gente que devia pensar 3 vezes antes de apontar o dedo e dizer que A ou B é feia.
Gargalhada geral, tudo levado na brincadeira embora a dita se tenha calado e quedado muda até nos abandonar, com muita pena nossa, cof, cof, acometida de um súbito ataque de sono e fadiga.