
Vivemos num mundo completamente obcecado pelo culto do corpo, pelo peso certo.
Somamos horas de ginásio, perdemos horas de cavaqueira, de convívio são, de partilha de experiências, de troca de ideias, de amizade.
Sonhamos correcções cirúrgicas, estilizamos, padronizamos aquilo a que se convencionou chamar beleza e tranformamos-nos numa máscara igual a outras máscaras.
É obrigatório ser magro, não ter rugas e ter lábios grossos e sensuais, recorre-se à cirurgia, ao botox.
Mas quanto á extrema magreza interior não há medidas cosméticas a tomar, uma pílula milagrosa, um ginásio da alma a frequentar, por falta de exercício, deixámos o nosso interior, perder massa muscular, força, vitalidade.
Caminhamos hoje entre o nosso semelhante e não ao seu lado, tudo se compra tudo se vende, tudo é descartável, virtual.
Deturpam-se os valores que nos foram ensinados, rompem-se os laços da verdadeira amizade, dos relacionamentos desinteressados.
Caminhamos compassadamente rumo a um futuro que não conheço, obviamente, mas que pelo que me é deixado a adivinhar não trará nada de bom se entretanto não começarmos a muscular o que realmente importa, esquecendo o que é acessório, prestando redobrada atenção ao realmente importante.
Não quero que pensem que sou contra o exercício físico, antes pelo contrário, tudo a favor, mas sobretudo a favor da velha máxima: " mente sã em corpo são"...