quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

SAUDADE


Foi por conta dela que aqui voltei.

Saudades vossas mas sobretudo minhas, nossas, do tu cá, tu lá das palavras, das diferenças, das semelhanças, da proximidade da divergência que coincide, das ideias, dos sentimentos, saudade de tanta coisa, sobretudo de mim, da que eu era e já não voltarei a ser, mesmo não divergindo de mim, do meu eu nuclear, hoje sou diferente, estou bem por ser diferente mesmo sentindo saudade da outra, da que ficou lá atrás.
Hoje, é dia de recomeço de deixar de escrever ao volante, palavras que se esfumam pela janela aberta e se espalham pelas auto-estradas, pelos rios pelos campos não encontrando nem rumo nem eco.
Hoje, é dia de recuperar a busca de mim dentro das palavras, tanto minhas, como vossas.
Hoje, é dia de quebrar a solidão.

domingo, 6 de dezembro de 2009



Fecha-se aqui um ciclo apenas porque não sou a mesma pessoa que era em Agosto, mudei, cresci, comecei a ver certas coisas com outros olhos por isso este espaço deixou de fazer sentido.

Viro a página e sigo em frente pela mesma estrada ou por outra paralela, não sei, não importa, porque embora hoje diferente serei sempre aquela que fala com o coração não importa se ao pé da boca, se nas mãos, as minhas palavras aqui ou ali mais à frente serão sempre e apenas sopros do coração.



quinta-feira, 20 de agosto de 2009

POR AGORA É ADEUS


Porque só descobrimos o verdadeiro valor daquilo que para nós é absolutamente precioso quando estamos em risco de o perder, porque não quero desperdiçar mais tempo de qualidade com os meus tesouro maiores, aqui a "mercearia" vai ficar encerrada para balanço.

Fiz por aqui na freguesia bons amigos que passaram para o lado de cá e fazem hoje parte da minha vida, outros ainda não houve tempo ou oportunidade, ainda não chegou o dia certo, esses têm o meu telefone e se não têm é só pedir a quem sabem que de certeza tem, continua também aí o mail para quem precisar ou se lembrar de dizer alguma coisa.

Obrigada pela companhia, pelas conversas, pela amizade e pelo revelar das vossas almas, vou continuar sempre que me sobrar um minutinho a dar uma espreitadela nos vossos "estaminés" claro, mas por agora é hora de fazer uma pausa.

Fiquem bem.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

É POR ESTAS E POR OUTRAS...


Quando no último trimestre de 2008 as dificuldades já eram bem reais e já se faziam ouvir por todo o lado os ecos da crise, os nossos (des)governantes de forma alarve irresponsável e revelando a maior das ignorâncias que lhe são, aliás bem características, diziam que não que coiso e tal que Portugal estava ao abrigo de qualquer temporal, quanto mais tempestade económico-financeira. Depois quando já não havia como continuar a tapar o sol com uma peneira, lá vieram a lume admitir que sim que havia a tal crise mas que a culpa, va de retro, jamais seria deles, era a conjectura internacional.

Meses de inércia volvidos em que a crise serviu de desculpa para tudo, inclusive para aproveitamentos de muitos patrões, mas isso são outros quinhentos, o idiota, sem o menor pingo de vergonha ou pudor que o caracteriza como todos sabemos, vem ao pequeno écran arreganhar a dentola e reclamar para si e seus compadres a retoma económica, como se diz aqui pelo Ribatejo, "Não há cu que aguente".

Longe vem a retoma, apenas nos encontramos a reboque das outras economias de quem dependemos. Perto vêm os dias difíceis de quem vê o subsídio de desemprego a chegar ao fim e os portões das fábricas de onde saíram encerrados.

Demasiado confiantes na ancestral amnésia do povo português e na sua total falta de coragem e cultura política, lá vão mais uma vez cantando e rindo rumo a mais uma legislatura em que só farão o que sabem fazer, nada, e continuarão a limpar as mãos às costas das outras forças políticas, à conjectura internacional e às de quem mais se puser a jeito.

É por estas e por outras que um dia disse não a um caminho que abriam à minha frente, porque sabia que dominava mal o meu mau feitio e tinha o estômago muito pequeno para estas lides...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

SOLIDÃO É PRECISO - MESMO QUE SÓ POR VEZES


Lá fora o calor cresce, sigo com o olhar as janelas e portas que trepam as paredes tentando alcançar o tecto lá em cima, protegida pelas paredes grossas desta casa antiga que teimei em recuperar sem desconstruir desfruto da frescura do interior gozando contudo a brisa escaldante que se escapa entre dois acenos da cortina leve. Lá fora reina no pátio, o seu reinado efémero, o sol, implacável, que espreito daqui de dentro onde protegida, me entrego e me deixo, sem reservas, divagar.

Gosto destas horas raras de solidão provisória, deste torpor, quando completamente a sós me é permitido viajar dentro desta casa, usufruir dela em pleno.

Depois de um mergulho breve, deixo enxugar o fato de banho no corpo, à sombra, dentro da frescura da sala, deitada na chaisse longue, sinto invadir-me pelo arrepio de frio breve e completamente a descompasso dos quase 40 graus que se fazem sentir lá fora, silêncio absoluto, daquele tão pesado que se faz ouvir.

Demasiada solidão, levanto-me procuro nas minhas estantes a companhia antecipadamente eleita e que me falta, tem tudo a ver com o dia, o momento presente. - A casa dos espíritos - Isabel Allende - mais uma vez, hoje, particularmente hoje, a companhia perfeita, porque o momento me lembra o livro e sobretudo porque apenas leio livros que se vestem e cheiram e vivem, que se confundem comigo e levam dias e dias a despir. Abro-o e imediatamente reencontro velhos conhecidos.


Capítulo I

ROSA, A BELA...

( Até já ...)